BCE leva juros de Portugal para mínimos

A dívida soberana da Zona Euro continua a ser impulsionada pelo discurso que está a ser adotado por vários responsáveis de política monetária do Banco Central Europeu, que apontam para um adiamento no aumento de juros na região. Ontem foi a vez de Peter Praet, o economista-chefe do BCE, indicar que a autoridade monetária poderá alterar os planos de agravar as taxas de juro caso se confirme um abrandamento pronunciado da economia da região.

Francois Villeroy de Galhau, governador do Banco de França e também membro do BCE, admitiu recentemente que o abrandamento da Zona Euro é “significativo”, o que poderá levar a que a autoridade monetária mude a orientação da política monetária.
Estas indicações estão a pressionar em baixa os juros das obrigações soberanas da Zona Euro (variam em sentido contrário à cotação dos títulos), o que justifica o novo mínimo atingido pelos juros da dívida portuguesa. A taxa de juro dos títulos a 10 anos desce 1 ponto base para 1,504%, o que corresponde a um novo mínimo de março de 2015.
Esta é já a sexta sessão seguida de descida nos juros das obrigações do Tesouro. Várias casas de investimento têm vindo a renovar as recomendações sobre a dívida portuguesa, que deverá ser uma das grandes beneficiadas do reinvestimento em dívida por parte do BCE, ao mesmo tempo que surge como uma boa aposta num período de instabilidade nos países periféricos (Espanha e Itália).

A tendência descida de juros também se verifica noutros países. A “yield” das bunds a 10 anos recua 0,7 pontos base para 0,106% e a taxa dos títulos italianos com a mesma maturidade cede 0,5 pontos base para 2,761%.